Entrevista com Mãe Efigênia em Janeiro de 2015

Por Francisco Cereno

Como foi Inicio da sua relação com o Santo, como você começou no Terreiro de Candomblé, existia um histórico na Família?

 

Primeiramente vamos cumprimentar, meu nome é Muiandê, Efigenia Maria da Conceição.

 

(risos)

 

Bom, você quer saber como encontrei os caminhos dos Inquices?

 

Isso, exatamente.

 

Foi o seguinte filho, eu tinha nove anos de idade quando vim de Ouro Preto para Belo Horizonte. Ai cheguei aqui Belo Horizonte e tive um problema, tive um desmaio. Ja ia saindo trabalhar com a minha mãe, sendo que naquela época criança podia trabalhar, não é igual hoje que pode roubar, pode mexer com droga, pode mas não pode trabalhar. Naquela época tinha que trabalhar, estudar pouco mas trabalhar muito. Eu fui criada em Colégio de Freira, lá na minha terra,

no Asilo Santo Antônio, lá em Ouro Preto.

Ai sai de la, vim pra ca para BH, de repente eu, minha mae lavava roupa do pessoal e eu ajudava ela tb, ela lavava em uma casa e eu passava em outra. Outra eu lavava em uma e ela passava na outra, de acordo com (...) eu tinha 9 anos de idade. Ai eu cai, saindo de casa  eu cai na rua, cai numa encruzilhada aqui na rua Itaverá. Todo mundo sabe da minha história.

 

E você já morava aqui na região quando veio de Ouro Preto?

 

Sim, eu ja morarava aqui, morava no bairro Paraiso. Dai eu fiquei quatro dias e três noites bolada, desacordada

 

Inconciênte?

 

Inconciênte, mas nao estava desmaiada, conversava, movimentava, mas eu mesmo não sei disso, me contaram que eu fazia tudo, só não comia e nem bebia nada. AI, minha minha mãe me levava no hospital, me levou no Pronto Socorro, que hoje é o Maria Amélia Lins, o pronto socorro era ali, atrás do hospital São Lucas, ai me levaram neste pronto socorro quatro vezes, terminando a quarta vez a enferfeira disse assim: “não tem condição dessa menina, não tem mais medicamento para dar para essa menina. Vamos pegar essa menina e levar ela num terreiro.” Ai minha mãe “Deus que me livre que eu não quero mexer com isso”. Por que na minha terra não existia terreiro de macumba, de candomblé, centro espirita...Ai minha mãe “é macumba eu não quero mexer com isso para a minha filha, não justifica mecher com macumba...” Ai quando minha mãe viu que a coisa tava ficando apertada, agente passava muita dificuldade no quartinho que agente morava, sabe, de aluguel. Ai tinha um centro espírita no fundo da minha casa, que era na rua Joaquin Ramos, centro da Dona Maria, na Joaquin Ramos. Gosto de falar tudo direitinho, aonde que era, para as pessoas, né? Quando cheguei nesse centro a mulher veio, rodando, rodando, pôs a mão só assim ne mim, dai eu virei, incorporei.

 

Você virou o santo lá, na hora?

 

Dai eu incorporei um caboclo, uma entidade que chama Paredão. É uma entidade que eu incorporo desde os nove anos de idade. Ai o Paredão foi embora, suspendeu. Dai veio o caboclo Ubirajara do qual eu incorporo ele ate hoje. Tudo assim, disparado. Ai comecei a incorporar o meu preto velho, que é o dono dessa casa. Meu Pai Benedito.

 

Com nove anos?

 

Com nove anos! Meu pai Benedito. Mas ainda não tinha a casa. Ai minha mãe ficou desesperada, fez promessa para Nossa Senhora Aparecida, fez promessa pra aquilo, fez promessa para aquilo outro... Mas ai, meupreto velhor começou a fazer cura. Fez cura, cura, curas uma atrás da outra, que eu falo que, nas igrejas evangélicas tem um testemunho e no candomblé deveria ter também. Ele (Pai Benedito) fez parto, menino engolia alfinete, ele tirava...

 

A senhora incorporava fazia cura nas pessoas?

 

Sim, eu ja estava com 11 anos. O meu preto velho fez um parto, eu nao tenho coragem ate hoje..., ja vi sego entrar aqui, e sai enxergando...e não posso cobrar uma moeda, meu Pai Benedito não aceita, outra coisa, todo mundo sabe aqui, a comunidade, outra coisa, por isso que hoje aqui virou Quilombo, recebeu uma titulação de Quilombo, porque também Pai Benedito é considerado um medico, o medico da periferia, da comunidade, entendeu? É menino doente, é outro que esta morrendo, uma pessoa...então, ele não aceita que cobra uma moeda. É o Pai Benedito.

 

Então, deixa eu entender, você já fazia esses trabalhos, já atendia essas pessoas e fazia curas, já incorporava...

 

Mas não era feita no santo. Eu era, médium de umbanda. Eu não precisei de ir a um terreiro pra desenvolver, por que eu sou médium de nascença, entendeu?

 

Sim, entendi.

 

Ai eu comecei a incorporar, mas dentro da umbanda. Dentro da umbanda não existe Orixá. Quer dizer, você não incorpora orixá na umbanda. Você incorpora caboclo, preto velho, exú e menino de angola. Marinheiro, baiano, tal tal... as entidades do Terreiro de umbanda. Mas existe raiz, existe muito poder dentro da umbanda. É uma coisa muito sagrada. Existe fundamento, existe sim, entendeu?

 

Então nesse momento você começou a desenvolver...

 

Eu nunca desenvolvi, eu ja incorporei direto.

 

E ai a sua mãe aceitou naquele momento?

 

Ela me levou a primeira vez porque não tinha outro jeito!

 

Dai a senhora continuou indo e lá você incorporava as entidades.

 

Ai eles incorporavam em mim e fazia o que tinha que fazer e depois iam embora. Mas eu não tinha domínio, não tinha controle por que eu era muito nova e não sabia controlar. E isso a minha mãe não aceitava, era muito difícil pra ela entender, agente não entendia, não tinha conhecimento. E todo mundo falava que espiritismo era coisa do diabo, e minha mãe achava que estava possuída, entendeu? Dai eu cresci, fiquei gravida, viajei pra Bahia, peguei um pouco mais de conhecimentola em Feira (de Santana). Morei em Feira (de Santana), em Caninanha, passei por Nazeré...parece que a própria entidade vai levando você pros lugares, né? Dai voltei pra Minas, comecei a trabalhar numa casa com uns Bahiano também,  dai eu ia sempre na Bahia. Quando eu engravidei de novo, eu fui convidada para uma festa de Candomblé e deslumbrei com aquilo. Era um como um tetro, era tudo muito certinho o que os Orixás faziam, que os Enquices faziam. Eu era acostimada a cair de cara na parede, bater no chão, arrebentar o dedo. Ai ei disse: “Ah, me poupe gente, não vem com essa gracinha não, isso tudo é ensaiado, ninguém ta incorporado.” E muito bonito, tudo muito bonito, sabe? Ai ei falei assim, “ah não, eu não acredito nisso não.” E não acreditava mesmo. E achei bonito e tudo mas não voltei mais no Candomblé porque achei que aquilo era um teatro que eles estavam fazendo. Ai eu sai pra trabalhar, por que graças a Deus sempre fui muito trabalhadera, sai pra trabalhar e cai na rua.

 

Gravida?

 

Gravida. Eu estava de oito pra nove meses. Eu tinha ido pra consultar no Hospital das Clinicas e sai de la e fui trabalhar. Inclusive quem me consultou foi o Doutor Rabelo, que era um medico que mora aqui perto, que é ginecologista. Ele disse “você está ótima, o neném está bem, ta tudo bem!” Quando eu cheguei lá na Caetés, que antes era a Arapuã, que eu acho que até já acabou essa loja,

 

Sim, já.

 

Dai cai na tupinambás (com Caetés), dai deu hemorragia. Hemorragia interna,  deslocamento de placenta, a pressão foi 2,0... e isso eu tinha acabado de entregar os exames pro médico, eu estava bem, imagina se não tivesse né? Dai me levaram pra (Hospital) Santa Casa. Eu não vi, tive eclampse. Dai eu falei assim: “Oh minha Mãe, não deixa eu morrer não. Eu tenho oito vidas que dependem da minha, minha Mãe. Pelo amor de Deus, não deixa eu morrer não.” Porque o eclampse você vai e volta, vai e volta...Dai o médico falou assim, a moça que ajuda ele perguntou: “E ai Doutor? Tá fora de perigo?” e ele disse: “Não, já mandei reservar o leito no CTI pra ela.” Isso na Santa Casa. Dai eu falei: “Se a Senhora não deixar  eumorrer, não me levar, eu vou ‘rapar’ (raspar) a minha cabeça pra Senhora!” Que eu tinha pavor de rapar a cabeça, que a ‘quizila’ (incompatibilidade) dos Umbandistas é rapar a cabeça, né? Dai eu disse: “eu vou rapar pra senhora esse ano ainda!” Dai, eu fui melhorando, fui melhorando e sai e já me levaram direto para a enfermaria. Mas o bebê eu perdi. Oito pra nove meses.

 

Perdeu o neném, nossa...

 

Perdi.

 

E qual o nome da casa em que você foi rapar?

 

Baquice Bantu Cançange. Hoje é em Matheus Leme, mas quando eu rapei era no bairro São João Batista, a 35 anos atrás.

 

Então a senhora resolveu entrar pro candomblé...

 

Por dor

 

Como um promessa, né?

 

É, como uma promessa. Não foi por... ninguém entra pro Candomblé por livre e espontânea vontade. É muito raro isso acontecer, muito raro. Mas é melhor entrar por amor do que por dor, né?

 

É.

Ai, eu fiz o santo na Casa do Cateto Arabomim, mas fui feita por Sónia Talanderê, que tem uma casa no bairro Nacional. Eu sou a primeira filha de santo da Sonia. Chama-se Robona, Dofona Robona.

 

Ela chama Dofona?

 

Não! É assim: A primeira filha da mãe de santo, chama-se Dofona Robona.

 

Ah, tá. Então você a Dofona Robona dela?

 

Sim. Dela.

 

E ainda existe esse terreiro la, no bairro Nacional?

 

Tem esse centro la. Mas eu não fui feito nessa casa não. Ela ainda não tinha casa aberta. Eu fui feita no São João Batista, no Cateto Arabomim, que depois foi pra Matheus Leme. Cateto Arabomim foi meu pai que me criou na camarinha, que me ensinou na camarinha, que me deu a...

 

Desculpa, o que que é camarinha?

 

Camarinha é no Keto (Nação Keto) que fala, é o nome em Yorubá. Mas nós falamos Ucanga e Cucanga. Um é um quarto, que a pessoa recolhe e fica 21 dias naquele quarto. E o segundo é o quarto pra fazer os fundamentos, essas coisas todas. Entendeu?

 

Sim. Então você foi rapada na casa do Cateto Arabomin, mas foi a Sonia que fez sua cabeça.

 

Ai que foi o caso. Eu entrei na casa do Arabomin, achando que ele podia me rapar, mas ele não podia me rapar. Eu não tinha conhecimento nenhum dentro dos preceitos religiosos do Candomblé, nada sobre os conhecimentos africanos. Eu não sabia nem o que eles iriam fazer comigo. Então achei que ele podia me rapar. Mas ele não podia me rapar porque na época ele era meu marido. Então eles nao poderai fazer porque nos não poderíamos ser irmãos (no candomblé) porque ele era meu marido na época. Entendeu? Ai buscaram a Sónia, eu não conhecia ela nem ela me conhecia. Dai buscaram ela para fazer esse fundamento. A Sonia tinha sido recém formada dentro do Candomblé. Já tinha sete anos e ela estava formada para ‘cota’, que é (significa) Mãe de Santo.

 

Então você a Dofona Robona da Sónia.

 

Sim. E fui a primeira filha rapada na casa de Araborim, mas não por ele. Mas por ela. Quer dizer, eu abri a casa e abri na mão dela.

 

E como foi esse processo? Você disse que chegou lá e não conhecia né?

 

Esse é o certo. Eu cheguei lá e não sabia nada. Dai eu tive que apreender a falar Bantu, o dialeto Bantu, e o dialeto Yorubá. Por que antigamente falava-se mais o Yorubá do que Bantu. Porque agora que o ‘Bantu Quimbundo’ chegou aqui em Minas. Por que os zeladores mais velhos estão buscando lá fora e trazendo pra gente. Por que aqui na se falava em Bantu. Só falava em Yorubá (dentro dos terreiros de Candomblé) Enão agente aprendeu a falar ‘Omi’ ao invés de ‘Amazi’ que é (significa) agua. Aprendeu a falar... Sal era Amungo e não Elió. ‘Laió’ que é o mel (em Bantu) agente não aprendeu a falar. Hoje não, mãe e pai é Ameto e Tateto. Em Yorubá já fala Axó... Então agente aprendeu a falar tudo em Yorubá, e agora em Bantu. Agente aprendeu as rezas tudo em Yorubá e agora tá sendo uma dificuldade para os Pais e Mães, os zeladores mais velhos, aprender o Bantu. Porque agente aprendeu só em Yorubá.

 

E tem que falar em Bantu? Porque?

 

Não, se você tá num lugar (...) você tem que aprender a falar todas as línguas. É ou não é? Tem que aprender a comer de tudo e falar todas as línguas.

 

Sim.

 

Mas o certo é você falar a sua língua.

 

E o Bantu, essas pesquisas, essas influências, vem da Bahia?

 

Não, porque o Bantu...Os zeladores hoje vão pra Africa, tem condição de ir pra Africa e pra França e lá aprende a falar. Não é só a Bahia. A Bahia talvez, mas eles (zeladores) vão muito pra Africa. O Candomblé Africano é diferente do nosso aqui, né? Diferente do Candomblé do Brasil.

 

Sim. E quando você criou esse centro aqui? Esse Candomblé.

 

Esse centro aqui...o meu foi criado em setenta e três (1973).

 

E quando veio o titulo de quilombo?

 

Quilombo? Foi em mil novecentos e... dois mil e oito (2008). Foi em dois mil e oito.

 

E como foi, alguém venho aqui...

 

Uai, chegaram aqui, fizeram uma pesquisa, conversaram, porque eu faço muita palestra, essas coisas assim..

 

Ah, tá.

 

Ai o SENARAB entrou nesse processo. Você sabe, o SENARAB é um órgão que tem aqui que cuida dessas coisas. Ai entrou nesse processo, veio aqui e falou comigo essas coisas. Ai eu pesei, isso não dá nada não. Que eu sou aquela zeladora mais antiga, que hoje tem um povo novo que ta na internet, pereré, parará! Eu não sei mexer com isso. Então eu é aquilo mesmo, da noção, do que eu vejo, do que eu aprendi com sacrifício e tal. Ai eles  (SENARAB) chegaram e falaram: “Saiu um diploma, um certificado pra senhora.” Não, minto. Saiu no jornal Diario de Minas.

 

Estado de Minas.

 

Sim, Estado de Minas! Saiu no jornal!

 

Saiu no jornal? E você lembra quando?

 

Sai no mês de junho ou julho (de 2008). Foi antes de agosto. Eu tenho o jornal guardado aqui. Dai o povo começou a ligar... Saiu na Voz do Brasil também, no rádio: “Associação Cultural de Culto Afro Religioso Manzo Ngunzu Kaiango...” Ai eu falei assim: "Uai, gente! Então agente tá muito importante também!” Ai chegou o António, que é Secretario da (Fundação) Palmares. Ele veio aqui me entregar a certidão, o título. E entregou a placa também, que fica la fora.  Por que aqui agente tem um trabalho com a comunidade, com a criança e o adolescente, o projeto Kizomba.

 

Já ouvi falar!

 

É aqui, o Projeto Kizomba funciona nessa casa aqui, com criança e adolescente. Tirou muito menino da droga, da rua, mas o projeto é sim fins lucrativos e sem nenhuma ajuda. Eu jogo aqui meu búzios, de noite eu vejo quanto que eu tenho, e deixo aqui uma ajuda, pra comprar um pão, pra comprar um suco. Tem dia que pode passar uma manteiga, tem dia que tem que dar pão seco, porque não tem ajuda nenhuma para a casa (projeto).

 

E voltando para o seu processo, você fez o santo...

 

Eu fiz o santo, tomei minha primeira ‘obrigação’ na feitura (do santo) quando eu fui pra casa do meu Pai Arabomim. Depois outras obrigações, após 7(anos), 14 (anos) e 21(anos). 

 

Quantos anos você tinha quando tomou a primeira ‘obrigação’?

 

Eu tinha...eu to com sessenta e nove (69), menos trinta e quatro (34)...

 

Então você tinha 35 anos.

 

E comecei com nove anos de idade.

 

Qual a missão da senhora nessa vida?

 

A minha missão? Plantar, ajudar...eu vim plantar nessa terra! Eu vim ajudar!

 

Plantar o que?

 

Amor, doutrinação, afeto e carinho. Eu vim plantar! Eu vim doar, eu não vim colher! Por isso que eu não jogo na loteria, não faço nada porque eu já vi que eu não vim pra ser rica. Eu to comendo um prato de comida aqui, bate na porta (bate palmas), “Oh mãe, tem um homem pedindo um prato de comida aqui mas não tem mais não”. “Dá ele o meu! Põe uma farinha, frita um ovo e dá pra ele.” Fiz isso muito. Sabe porque meu filho? Eu moro aqui. Eu frito um ovo jogo uma farinha e como. E ele? Quem vai dar a ele na rua? Não é? Eu criei dezoito (18) filhos dos outros.

 

Dos outros? E quantos da senhora?

 

Eu sou mãe de treze (13).  Tem seis (6) vivos. E outra coisa, (criei) tudo lavando roupa e passando. E outra coisa. Dessa casa nunca saiu um ladrão um marginal. Todo mundo no salariozinho. Ganha um trocadinho aqui, ganha um trocadinho ali.

 

E tem uma mensagem que você quer mandar para as pessoas?

 

Quero sim! Eu quero.  Eu queria muito que a nossas religiões de matriz africana tivesse mais valor, e que nosso povo fosse mais unido, sem medo, sem rancor. E que tivesse coragem. Por que hoje nos vivemos num pais livre,  com a sociedade e os inquices do nosso lado e ao nosso favor. Nos não precisamos mais de tert medo do mundo, de ter medo do povo, e de correr e esconder atrás das muralhas e atrás das arvores. É isso que eu queria. E que nos hoje temos muito aonde aprender, e as pessoas estão hoje muito a nosso favor. E nos precisamos disso. Ser livre, é isso que eu quero pedir. E ser respeitado.

 

FIM. 

 

Mestres homenageados em Novembro  

Mestre Negoativo (Ramon Lopes, 1967 - voz, berimbau e congas) é morador do bairro de Maria Goreti, periferia de Belo Horizonte. Em 1990 Mestre Negoativo deixou o Brasil para dar aulas de capoeira e percussão em Bruxelas, na Bélgica. De volta em 1991, surgiu a idéia de montar um projeto semelhante ao desenvolvido por Carlinhos Brown em Salvador. Mestre Negoativo chegou a reunir 95 crianças em uma orquestra de berimbaus. Com o fim da orquestra, uniu-se a Alexandre Cardoso (1978 - voz e pantagome) e a Berico (guitarra e vocal) e montou a base do Berimbrown. Logo depois outros músicos do mesmo bairro foram se integrando ao grupo: Adriano George (trompete e vocal), Ronilson (tambor), Marconi (tambor e congas), Buda (tambor), Edson Menezes (baixo), Léo Pires (bateria), Marcelo Oliveira (trombone e guitarra), Marcelo Rocha (sax tenor) e DJ. A banda, além de composições próprias, apresentava em shows releituras de "The payback" (James Brown), "Boa noite" (Domínio público), "Galope" (Gonzaguinha), "Sossego" (Tim Maia), "Beabá do berimbau" (Domínio Público), "Kocicikelela" (Domínio público) e "Ilê", de Gilberto Gil, além de sucessos de Clara Nunes. 

 

 

Em 2000 lançou o primeiro disco no qual foram incluídas "Batucada no gueto" (Alexandre Cardoso e Mestre Negoativo), "Boa noite" (Dominio público/adaptação Berimbrown), "Nasceu pra ficar" (Mestre Negoativo e Berico), "Periferoses" (Alexandre Cardoso, Berico, Mestre Negoativo e Luiz Paulo), "Tombo da ladeira" (Marcelo Oliveira e Mestre Negoativo), "C’est la vie" (Mestre Negoativo) e "Zé Pereira meu brother" (Alexandre Cardoso, Mestre Negoativo, Roberto Oliveira e Tiago Correia), entre outras. Com produção do baixista Ivan Correa, o CD independente vendeu cerca de cinco mil cópias e chamou a atenção de vários críticos mineiros e paulistas. Nesse mesmo ano, participou do "Projeto Prata da Casa", patrocinado pelo Sesc São Paulo, na unidade Sesc Pompéia. Na ocasião, recebeu como convidada a também mineira Patrícia Ahmaral. Ainda em 2000, foi um dos 78 nomes selecionados para o "Projeto Rumos Itaú Cultural Música". No ano seguinte, na comemoração do segundo ano do projeto, a banda voltou a se apresentar no Sesc Pompéia. Ainda em 2001, apresentou-se no Canecão, no Rio de Janeiro, desta vez participando do "Projeto Telemig Celular de Música", show no qual recebeu Sandra de Sá. A banda desenvolve vários projetos comunitários na periferia de Belo Horizonte. Iniciado na 1ª Semana de janeiro de 2002, surgiu do ideal de se realizar um trabalho sociocultural em que a música fosse o diferencial de resgate da cidadania. A Serenata, loja de instrumentos musicais, se dispôs a oferecer a logística suficiente para respaldar o Projeto, participando com os equipamentos e acreditando nos resultados. Mestre Negoativo, coordenador geral do projeto, juntamente com os integrantes do Berimbrown, realiza um trabalho voluntário reunindo cerca de 100 crianças e adolescentes nas comunidades do Goiana, Maria Goretti e bairros adjacentes. O Projeto Kilombola tem como princípio o resgate da cultura afro-universal: a pesquisa de ritmos de matriz africana - especialmente os tambores de minas (congado) - berimbau (arco musical) e ritmos estrangeiros de origem negra, como o reggae, o rap, o funk e o soul, e um coral Afro , o apoio na educação social de crianças e adolescentes moradores da periferia. O projeto Kilombola tem sua sede na Escola Municipal Maria Assunção de Marco, e é o segmento do Bloco Afro Porto de Minas. O Bloco atuou dez anos na comunidade do Maria Gorette, criando um espaço onde crianças e adolescentes tinham a oportunidade de desenvolverem seus talentos musicais. Também deste fruto foi que nasceu o Berimbrown. Lançou em 2002 o segundo disco, "Aglomerado", este pela gravadora Obi Music, uma das primeiras a privilegiar o segmento black-music. NO ano de 2004 gravou o primeiro DVD em show no projeto "Toca Brasil", em São Paulo, somente lançado em 2005. No DVD foram incluídos sucesso da banda como "A massa quer som" e ainda regravações de clássicos como "Heróis da liberdade" (Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola e Manuel Ferreira), "Fé cega, faca amolada" (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos), "Parabolicamará" (Gilberto Gil) e "The payback", de James Brown. A banda fez várias turnê por cidades da Europa e por várias capitais brasileiras.

 

Local: Rua Mercedes Luiza de Miranda, 112. Bairro Maria Goretti, Região NORDESTE, BH.

DONA ELISA > É do samba que vem toda a energia de Dona Eliza Pretinha, compositora e intérprete da Velha Guarda de Belo Horizonte. O fôlego, justifica ela, é preservado a ferro e fogo desde menina, quando aos 10 anos de idade fez, ao lado do pai, sua primeira canção: “Cativa Mulata”. Corria o ano de 1958, e a composição foi dedicada à mãe.

“Entre todas canções que fiz, talvez seja ela a que mais goste e lembro que, enquanto batucava, meu pai fazia a letra. Hoje, olhando para trás, vejo que não podia ter começado de outra forma. Eles eram muito companheiros, transpiravam um afeto tão profundo que toda canção de amor parecia ter sido feita para os dois”, recorda, com emoção.

 

Para contactar Dona Eliza: 

(31) 3077-8555 

donaelisapretinha@yahoo.com.br

 

Homenageada na Mostra CineAfroBH: 

08 novembro, sábado, de 19 às 22h

 

Serão exibidos filmes do Programa Samba

 
 

Mestres homenageados em Outubro  

ENDEREÇO: Associação de Capoeira Angola Dobrada – ACAD. Rua Capitão bragança 39, Santa Tereza. Funcionamento:

Segundas e Quartas: 14 às 16h e 19 às 21h
Terças e Quintas: 9 às 11h
Roda: Quinta às 19:00h

Contato: 9772-5704 / 94040091 / 9735-9627

Email: omoludeangola@yahoo.com.br

A “Associação de Capoeira Angola Dobrada – ACAD” foi fundada em 1992 pelos Mestres Rogério e Índio em Kassel – Alemanha. Ela tem como objetivo preservar, divulgar e manter vivos a arte e os rituais da Capoeira Angola, sem deformá-la. Como outras instituições culturais e pedagógicas pretende auxiliar homens, mulheres e crianças na sua auto-afirmação e no processo de libertação.

MESTRE ROGÉRIO Nasceu no Rio de Janeiro em 1954 em Duque de Caxias- RJ. Em 1985 fundou em Belo Horizonte – MG O Iuna, o primeiro grupo de Capoeira Angola da cidade. Formado Mestre em 1987 pelo Mestre Moraes. Em maio de 1990 a convite do capoeirista Índio, Mestre Rogério viaja para Alemanha, na cidade de Kassel, onde desde então mora e desenvolve seu trabalho com a Capoeira Angola .

MESTRE ÍNDIO: Carlos Roberto Gallo - Mestre Indio Nasceu 1963 em Várzea da Palma (MG). Formado mestre de capoeira angola por mestre Rogerio em 2004. Atualmente coordena os trabalhos de Santa Tereza, em Belo Horizonte, e na Itália onde mantem núcleos da Acad em Cesena e Bolonha.

 

 

MESTRE ROGERIO E MESTRE ÍNDIO > Mestre Rogerio na década de 80 foi o responsável pela difusão da capoeira angola em Minas. Ele, juntamente com Mestre Índio, no início da década de 90, foram os pioneiros na difusão da capoeira angola fora do Brasil

 

Homenageados na Mostra CineAfroBH: 

22 outubro, sábado, de 19 às 22h

 

Local: Rua Capitão Bragança, 39. Bairro Santa Tereza, Região Leste, BH.

 

Serão exibidos filmes do Programa Capoeira Angola

 

ENDEREÇO: GRUPO ZENZALA EU BAHIA.  Rua Nossa Senhora de Fátima 263, Padre Eustáquio. Funcionamento: Terça e Quinta 19h30 às 21h. 

Email: graomestredunga@graomestredunga.com.br

Amadeu Martins, o Grão-Mestre Dunga, é natural de feira de Santana – Bahia. Foi cabo do exército brasileiro, em São João Del Rey. No final da década de 60, por influência do  Mestre Toninho Cavalieri, passa à residir em Belo Horizonte. Nessa época a Capoeira era praticada por pessoas ligadas á zona sul, e Mestre Dunga se dedica na divulgação da capoeiragem nas vilas e comunidades na capital mineira. No "Fundo de Quintal", um "Celeiro de Bambas", a escola formou grandes capoeiristas, que deram origem ao boom da capoeira no estado de Minas Gerais e fora do Brasil.  Em 15/03/1981 ele funda a Associação de Capoeira Cordão de Ouro – Eu Bahia, situada na vila São Vicente (Marmiteiro), bairro Padre Eustáquio, onde também realiza atendimentos omo massoterapeuta. Em 2004, lança seu primeiro CD: "Grão Mestre Dunga - A Lenda Viva da Capoeira", que possui 28 faixas de puro valor folclórico, com angola, banguela, maculelê e puxada de rede. Em 2006, passou a ser denominada de ABRACCE, Associação Brasileira de Capoeira Cordão de Ouro - Eu Bahia, devido a globalização e crescimento proposto pelos seguidores. Possui diversos núcleos de ensino em Minas Gerais, em academias, escolas e associações. Todo domingo, a partir das 18h mestre Dunga coordena a roda de capoeira mais tradicional de MG, a roda da Praça Sete, no centro de Belo Horizonte. 

 

 

MESTRE DUNGA > PRECURSOR DA CAPOEIRA EM MINAS GERAIS.

 

Homenageado na Mostra CineAfroBH: 

18 outubro, sábado, de 19 às 22h

 

Local: Rua Nossa Senhora de Fatima, 238, Vila do Marmiteiro, Pe. Eustáquio, Região Noroeste, BH.

 

Serão exibidos filmes do Programa Capoeira Angola

 

 

Endereço: Guarda de Moçambique e Congo Treze de Maio de Nossa Senhora do Rosário. Rua Jataí, 1309, Bairro Concórdia, BH.

Funcionamento: segundas, quartas e sextas, de 19 às 22h.  

Contato:  (31) 3421-7646

Email: trezedemaionsr@gmail.com

DONA ISABEL CASIMIRO > RAINHA CONGA DE MINAS GERAIS

 

Homenageada na Mostra CineAfroBH:

04 outubro, sábado, de 19 às 22h.


Local: Rua Jequiriça, 238. Bairro Concórdia, Região Nordeste, BH.

 

Programa Religiosidades

 

 

 

 

 

Dona Isabel Casimiro das Dores Gasparino é Rainha Conga de MInas de Minas Gerais e vice-presidente da  Guarda de Moçambique e Congo Treze de Maio de Nossa Senhora do Rosário, situada no bairro Concórdia, em Belo Horizonte. Fundada em 1944 por sua mãe, Maria Cassimira das Dores, e seu irmão, Ephigênio Casemiro, Os membros da Guarda de Congo trajam azul claro e branco, e faixa e capacete roxo. Já os da a Guarda de Moçambique são calça branca, camisa e turbante roxo e saiote azul. Dona Isabel, princesa da guarda desde os cinco anos de idade, herdou a coroa de Rainha Conga após falecimento de sua mãe em 1984. Desde então mantém a tradição de devoção à Nossa Senhora do Rosário e São Sebastião, com um grupo de mais de 60 pessoas, entre moçambiqueiros e congadeiros, diretamente envolvidos nos festejos e atividades culturais das duas guardas.