Entrevista Mestre Cobra Mansa

July 17, 2019

 O Kilombo Tenondé leva o termo quilombo no nome, mesmo não sendo um terreno quilombola certo? 

“Sim! Apesar do nome, nós não somos uma terra remanescente de um quilombo e também não tenho uma tradição quilombola na minha família. Somente temos o projeto Quilombo Tenonde.”.

 

E o que é o projeto exatamente? Pode nos contar um pouco mais?

“O Kilombo Tenondé é um projeto criado a 15 anos atrás, que surgiu a partir de uma experiência com outro projeto que realizamos com crianças em Coutos, no Subúrbio de Salvador. Nós trouxemos está experiência para cá [cidade de Salvador] e ampliamos esse projeto. O Permangola – Permacultura e capoeira Angola é um trabalho que já desenvolvemos à 15 anos. No começo houveram críticas, principalmente por ser uma proposta diferente que trazia um grupo de pessoas praticantes de capoeira da cidade para o interior, aproximando e proporcionando uma experiência de vivência completa junto à natureza. 

 

E o que você acha que as pessoas podem vivenciar melhor com essa ampliação do projeto?

“Dentro desse trabalho, elas podem vivenciar a capoeira como um completo também, não só como um exercício e prática diária, mas como um meio de vida. Desta forma nós, por exemplo, vamos a mata e conhecemos a biriba, conhecermos a cabaça no pé e sentimos a natureza e suas origens muito mais próximas”

 

O Kilombo Tenonde constitui um dos marcos físicos que representa a memória social e cultural de um povo. No cenário atual, você sente que este marco e a existência do projeto se tornam ainda mais importante?

“A importância de trabalhos de resistência, principalmente com marcos culturais, são importantes dentro desta trajetória em que vivemos onde a opressão contra a população negra principalmente existe todos os dias. Nós sabemos da discriminação que acontece e que esses focos de resistência, dos quais chamamos de quilombos, são importantes para a sociedade atual. São focos de resistência independente e que tentamos manter uma auto-gestão, o que poderia ser levado para outros grupos sociais.” 

 

Qual a principal ou as principais dificuldades que enfrentam na inclusão na sociedade como um todo? 

“As dificuldades que qualquer grupo social descriminado enfrenta é da aceitação pela sociedade dominante. A gente tem que entender que nós não somos aceitos, nós somos tolerados dentro da sociedade. E isso é muito diferente. Você é aceito quando é bem-vindo, quando tem o mesmo direito, quando consegue entrar nos mesmos espaços e não ser olhado de uma forma diferente. Então, no caso da população negra, da população descendente de africanos e da população indígena, não importa o local onde a gente chegar, nós sempre seremos vistos de uma forma diferente. Ou seja, nós não somos aceitos e inseridos na sociedade, somos, no máximo, tolerados”.

 

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