Mostra CineAfroBH promove 7 sessões gratuitas no mês de novembro

October 28, 2019

 

 

No mês da Consciência Negra, a primeira mostra audiovisual do estado destinada exclusivamente à exibição de filmes produzidos por diretores afro-brasileiros, abre a programação de sessões neste fim de semana, entre os dias 01 e 03 de novembro com 10 obras cinematográficas.

 

Criada com o objetivo de difundir e incentivar a produção audiovisual de realizadores afro-brasileiros, a Mostra CineAfroBH (MCABH) promove ao todo 7 sessões gratuitas no mês de novembro, em diferentes espaços da capital mineira. Serão exibidos 10 filmes, majoritariamente produzidos por realizadores afro-brasileiros, sendo 6 deles mineiros ou então radicados em Minas Gerais, e outros quatro que vêm do Rio de Janeiro, Maranhão e Espirito Santo. A programação inicia neste fim de semana, entre os dias 01 e 03 de novembro, no Museu de Imagem e Som (MIS Santa Teresa), e segue nos dias 09, 14 e 23, na Pedreira Padre Lopes, no Centro de Referência da Juventude (CRJ) e na Associação Casa Madre Tereza de Calcutá, respectivamente.

 

Desta forma, a Mostra CineAfroBH, realizada com os recursos do Fundo Municipal de Cultura da Prefeitura de Belo Horizonte, reafirma seu compromisso de valorizar o cenário audiovisual mineiro, ao mesmo tempo que ao receber participantes de outras regiões do Brasil, constrói interlocuções e conexões com o cenário cinematográfico nacional. Como forma de criar integração entre o público, em todas as sessões de rua, a Mostra CineAfroBH oferece ao público pipoca gratuita.

 

PROGRAMAÇÃO

 

Intitulada como “Mostra CineAfroBH: Quilombos urbanos, fé e cultura”, a mostra traz como mote central o importante diálogo quanto as tradições e valores culturais existentes nos quilombos e na cultura afro para o Brasil. Por isso, os 10 filmes da edição de 2019 foram agrupados em quatro programações: Quilombola, Religiosidades, Panorama e Resistência, que por sua vez estão divididas ao longo das 7 sessões de exibição.

 

“O recorte da Mostra CineAfroBH este ano partiu de um entendimento que a população quilombola no Brasil tem uma contribuição importantíssima para o desenvolvimento da cultura afro-brasileira, mas que até hoje, não tínhamos um evento dedicado exclusivamente a está temática em BH. Por isso, também, criamos a programação para que as sessões fossem realizadas nestes espaços urbanos, como fizemos no primeiro semestre, valorizando a resistência histórica, cultural e social destas comunidades”, conta Carem Abreu, cineasta realizadora e curadora da Mostra.

 

A programação Quilombola, apresentada nos dias 01º e 09 de novembro, conta com os filmes “Favela em Diáspora” [Gabriela Matos, 21'56, 2017, MG], e “A Grande Ceia Quilombola” [Rodrigo Sena e Ana Stela, 52`, 2017, MA]. Na obra produzida em Belo Horizonte (MG), moradores do Morro do Papagaio são os protagonistas e relatam, através de suas vivências, como o processo de migração compulsória realizado por um projeto da prefeitura, provocou uma ruptura em suas histórias. Assim, o filme dá voz as memórias de um povo que está á margem do asfalto, mostrando o que resta após uma desapropriação.

 

Já o documentário maranhense, retrata a história do Quilombo de Damásio, uma terra doada por um senhor de engenho a três de suas escravas e que tem no cultivo e extração parcimoniosa de alimentos a base de uma estrutura social que privilegia o grupo. Parte destes saberes é abordado, mostrando como a comida  tem um papel fundamental na coesão do grupo e nas relações sociais presentes.

 

Em realização única no dia 02 de novembro, a Programação Religiosidades exibirá 3 curta-metragens: “A mulher da casa do arco-íris” [Gilberto Alexandre 23`24, 2017/18, ES]; “Kabadio” [Daniel Leite, 16', 2016, RJ]; e “Humanis Causa” [Lucas de Jesus 19'59, 2018, RJ].

 

Em “A Mulher da Casa Arco-íris”, o capixaba Gilberto Alexandre apresenta a história de Mãe Dango, sacerdotisa do Candomblé Angola. Sua trajetória é marcada pela ancestralidade herdada de seu pai, que lhe passou os ensinamentos da cultura bantu, e atravessada por episódios de superação e conquistas diante do racismo violento do país. A Casa do Arco-Íris, que ela define como um quilombo, abriga todos os seus filhos e é onde se cultuam os inquices. Assim, acompanhamos um espaço onde se constrói mais um capítulo da história da resistência negra no Brasil.

 

O olhar investigativo do diretor carioca Daniel Leite apresenta o curta “Kabadio”, que conta a história de personagens reais, habitantes de um pequeno vilarejo muçulmano no coração do Senegal, chamado Kabadio. O local é uma espécie de éden místico protegido por líderes religiosos, sendo o epicentro de vidas que tentam manter suas tradições em meio à guerra civil e ao contrabando de mercadorias. O segundo curta propõe uma reflexão ativa sobre os direitos humanos, sobre brasilidade e sobre a conjuntura atual de nossa sociedade.

 

A última obra, “Humanis Causa” o diretor carioca Lucas de Jesus propõe uma reflexão sobre nossa luta por direitos. Na cena cerca de 25 atores refletem sobre nossa realidade atual e através do olhar clinico e único, propiciado pela fotografia do grande cineasta brasileiro Neville D'almeida, somos colocados em uma posição de participante ativo da obra, trazendo assim uma maior relação de espectador-obra.  

 

Dando sequência, a Programação Panorama apresenta, no dia 03 de novembro, os documentários “Congado.Doc: do rosário à coroa” [Dandara Andrade, 10', 2016, MG], “Kabadio” [Daniel Leite, 16'09, 2016, RJ], além de um trecho do filme “PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a Volta que o mundo dá” [Carem Abreu, 15’, 2012, MG]. Dirigido pela mineira Dandara Andrade, o filme “Congado.Doc: do rosário à coroa” trata da festividade do Congado, uma tradição religiosa muito devotada em Minas Gerais, mantida por poucas famílias e que ainda enfrenta muitos obstáculos e preconceitos para manter-se viva. Com raízes no deslocamento compulsório das populações africanas para o Brasil, a manifestação percorre as ruas da cidade mostrando a mistura de elementos de suas crenças e devoção aos santos católicos, expondo o sincretismo de maneira única e emocionante.

 

Também serão exibidos o curta “Kabadio” e um trecho do media “PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a Volta que o mundo dá” dirigido pela gaúcha erradica em Minas, Carem Abreu, que é idealizadora e produtora executiva da Mostra CineAfroBH.  Após 11 anos de sua gravação (em 2008) no Forte da Capoeira e em outras 57 locações, nos estados da BA, RJ, PE, AL e MG, o filme será exibido pela primeira vez na Bahia. A narrativa do filme foi construída a partir de entrevistas exclusivas de Mestre João Pequeno de Pastinha, e mais de 40 mestres capoeiristas, expoentes das culturas populares, para propor a reflexão de qual foi a contribuição afro-brasileira para o desenvolvimento da história e da cultura do Brasil, pela perspectiva da Capoeira Angola. Uma das mais tradicionais culturas de raiz afro-brasileiras, hoje a capoeira é praticada em mais de 170 países, como instrumento de paz e integração social. Mas há menos de 100 anos era discriminada e percebida socialmente como uma prática da malandragem. Assim, o filme propõe um olhar sobre quais teriam sido os movimentos realizados pela capoeira para mudar completamente a sua percepção social e também é um registro histórico do cenário da capoeira angola na década passada. 

 

Fechando as quatro coletâneas de obras, a Programação Resistência apresenta curtas-metragens produzidos por diretores de Minas Gerais: “Quanto Vale?” [Thiago Nascimento e Danilo Candombe, 10', 2016, MG], “Cabeceira do Turco” [Cristiano Pereira da Silva 15'19, 2017, MG], “Eu Pareço Suspeito?” [Thiago Fernandes, 27’, 2018, SP], e um trecho do média-metragem “PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a Volta que o mundo dá” [Carem Abreu, 15’, 2012, MG]. A Programação Resistência será promovida nos dias 03, 09, 14 e 23 de novembro.

 

No curta “Quanto Vale”, os diretores Thiago Nascimento e Danilo Candombe propõem uma reflexão sobre uma triste temática, infelizmente, muito atual para os moradores do estado de Minas Gerais e para muitas outras comunidades que estão a margem das ações predatórias de mineradoras e empreiteiras por todo o Brasil. O filme trata da marcha organizada pelo MAB - Movimento dos Atingidos por Barragens, que percorreu o caminho inverso da lama ao longo da extensão do Rio Doce, iniciando em Regência, no Espírito Santo, até Bento Rodrigues, no distrito de Mariana (MG). Assim, o documentário apresenta a importante marcação da marcha criada para cobrar os responsáveis, reivindicar respostas  e para lembrar do maior crime socioambiental do Brasil.  Já no curta “Cabeceira do Turco” o diretor Cristiano apresenta a comunidade homônima, na zona rural do distrito de São Sebastião do Bom Sucesso (Sapo), em Conceição do Mato Dentro. São fortes e chocantes relatos de moradores sobre as diversas violações de direitos que a mineradora inglesa Anglo American realiza na região.

 

No filme “Eu Pareço Suspeito?”, o diretor Thiago Fernandes inverte a lente e busca entender os motivos do seu estereótipo ser considerado suspeito, tratando de momentos de enquadros, prisões, invisibilidade, racismo e mortes muito próximas, como meio de se discutir essa vivência infelizmente tão comum para os negros no Brasil. Um trecho de “PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a Volta que o mundo dá”, da diretora e capoeirista Carem Abreu, fecha as exibições da programação Resistência.

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